terça-feira, 30 de outubro de 2012

IV Encontro Brasileiro de Educomunicação reúne apaixonados por um mesmo sonho


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Paixão. Essa é a melhor expressão para descrever o que vi e senti durante o IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, realizado nesta semana em São Paulo. Cerca de 300 educomunicadores de diferentes partes do Brasil reunidos para contar, escutar e trocar experiências que realizam ou participam em ambientes educativos de suas cidades.
Apesar da complexidade que ainda permeia o debate sobre o conceito da Educomunicação pelas dúvidas e barreiras impostas por muitas escolas, pela falta de entendimento do MEC ou pelo distanciamento por parte de um número ainda grande de educadores, os trabalhos apresentados durante os Painéis Temáticos mostraram como pode ser realmente possível fazer Educomunicação – basta ter apoio, vontade, entusiasmo e paixão especial pelo processo.
O brilho no olhar de todos que ali estavam passava a sensação de que compartilhavam o mesmo sonho. Tudo isso reforça o que realmente vale a pena nesse desafio profissional, que é muito mais o diálogo e a vivência do cotidiano das práticas educomunicativas com os protagonistas dessas ações – crianças e adolescentes – do que a técnica e o produto de comunicação em si, seja um vídeo, blog, revista, jornal, conteúdo para redes sociais, rádio, fanzine, etc. Pois para se chegar à finalização desse produto, além da instrumentalização que a ferramenta exige, os alunos despertam para a vida de maneira muito peculiar.
Desenvolvem uma leitura crítica do mundo, especialmente dos meios de comunicação, afinal, passam de apenas consumidores da informação para produtores. Despertam para novas formas na busca do conhecimento, aprimoram o domínio da linguagem e da capacidade de se comunicarem, fazem um link entre o mundo da escola e os outros mundos - do trabalho, da cultura, do esporte e da vida adulta, exercendo e produzindo a interdisciplinaridade.
Abertura
A Mesa Redonda que abriu o evento contou com verdadeiros ícones da Comunicação e precursores da Educacomunicação: o professor do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo, Ismar de Oliveira Soares, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Muniz Sodré, a presidente do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Tatiana Jereissati e o coordenador do Núcleo Cultura Educação da Fundação Padre Anchieta, Fernando José Almeida, além da mediação de Maria Immacolata Lopes.
A Mesa abordou o tema “Educomunicação: protagonismos sem fronteiras”, marcado pelo debate sobre cultura, tecnologias da informação e o papel da educomunicação nos espaços educativos. Para Ismar, a educomunicação está em busca de novos paradigmas, pois não é necessariamente didática. “Ela não é fechada, está sempre aberta para novas formas de criar, pois com ela temos condições de dialogar”, explica o professor. Sodré fechou sua fala colocando na mesa um convite à reflexão. Para ele, a educomunicação é um pretexto histórico para reformular e estruturar a noção central de cultura por meio da diversidade, mas não apenas no campo da tecnologia, mas em uma nova lógica, a da sensibilidade. “Educar para a diversidade simbólica do mundo acontece somente pelo sensível”.
>> Patrícia Melo é jornalista desde 2001 e há sete anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação. Hoje, também é empreendedora, com a Presença – Comunicação Educacional, que tem como objetivo a produção de textos, entrevistas, reportagens e projetos comunicacionais direcionados especialmente ao universo educacional. Dessa forma, contribui para um diálogo mais consistente e criativo entre a Escola e a Família.

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